quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Pedagogia da Esperança



A tese transmitida por Dom Bosco aos seus discípulos merece ser compreendida:
“O salesiano jamais se lamenta do próprio tempo”. Não se trata de lamentar-se, mas de ajudar os jovens a utilizarem todos os vetores do progresso para uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais vivível.
É muito importante nas situações que vivemos ensinar à criança, ao adolescente, saber admirar-se diante da beleza, do progresso! É preciso, certamente, colocá-lo em guarda quanto aos possíveis desvios do uso inconveniente do progresso. Mas deve-se ter atenção para que ao colocá-lo em guarda não se bloqueie nele a faculdade de admirar-se diante do que vai
surgindo.
“Faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce”, diz o provérbio africano. É tempo, para o moral dos nossos jovens, de não oprimi-los constantemente com o rumor das árvores que caem, o que a mídia faz largamente, mas sabê-los abrir à beleza da germinação. É esta atenção ao processo de germinação que caracteriza o olhar de Dom Bosco sobre
os jovens. A história da semente, chamada a ser uma grande árvore, é sem dúvida a mais bela parábola sobre a educação.

Há três categorias de homens e mulheres comparáveis à semente. Primeiramente,
há os que não veem na semente outra coisa que a semente (perspectiva limitada!). Depois, há os que ao ver a semente, não fazem outra coisa senão sonhar a árvore (mas os grandes idealistas, sonhando, correm o grande risco de destruir a semente). Enfim, os que veem a relação entre
a semente e a árvore.

Estes, então, ficam atentos ao terreno. Educar segundo Dom Bosco, significa oferecer o melhor terreno para permitir à criança enraizar-se na herança familiar, social, cultural, com a finalidade de abrir-se como novo sujeito.

E é a alegria, sempre segundo Dom Bosco, que melhor caracteriza um terreno. Grande parte da arte educativa consiste em saber instaurar ao seu redor um clima de paz e de alegre serenidade. A alegria é necessária para o desenvolvimento da criança. Uma infância triste é uma condenação para nós. Parece-nos que a alegria é o componente essencial do clima educativo
salesiano.

Entretanto, trata-se sempre menos de uma conquista (nada soa mais falso do que os comportamentos daqueles que são alegres por dever) e mais de um fruto: a alegria está sempre presente em superabundância naqueles que vivem na verdade e no amor.

Ver no jovem tanto a criança que ainda é quanto o adulto que é chamado a ser; este é o olhar de João Bosco sobre os jovens, a única maneira de respeitar o direito da criança a crescer. Não se trata nem de mantê-la para sempre em estado infantil, nem de considerá-la um adulto em miniatura.

Desenvolver um projeto que leve em conta a criança, a sua realidade atual e a sua potencialidade do adulto de amanhã, significa tanto “dar-lhe segurança” quanto “responsabilizá-lo”. A arte do pedagogo salesiano está na articulação sadia entre essas duas linhas de força.

Aquilo de que mais padecem os jovens em dificuldade é a falta de segurança! Os bairros das nossas cidades onde reina a maior insegurança não serão talvez aqueles nos quais os jovens se sentem mais inseguros em relação
ao próprio futuro?
Dar segurança... é saber exprimir o caráter incondicional do afeto que nos liga ao jovem... Mas, ao mesmo tempo, é ser também garantidor de um conjunto de regras que permaneçam apesar das tentativas de transgressão da adolescência...

Dar segurança é, enfim, ajudar o jovem a fazer memória do sucesso. O drama de muitos jovens que abandonam a escola, é que a instituição lhes ensina apenas a recordar a falência, e isso gera a perda de confiança em si, e a perda de confiança em si leva de novo à falência.
Essa espiral só pode ser rompida ao fazer experimentar o sucesso. Tratase sempre de focalizar o saber fazer do jovem, voltar a atenção sobre o que ele sabe fazer, convidando-o a progredir. Não será esta, quem sabe, a mensagem deixada por Dom Bosco ao narrar o primeiro encontro com Bartolomeu Garelli?

Dar segurança, mas também responsabilizar, pois só se aprende a ser responsável exercendo responsabilidades. Muitos adolescentes de hoje sofrem justamente por não terem a possibilidade de exercer qualquer responsabilidade real no interior da sociedade, e isso é particularmente verdade para os jovens em situação de exclusão social. Não nos admiremos, pois, das suas atitudes de fuga! O maior drama da exclusão está no sentimento de inutilidade social que ela gera.


O que um grande número de jovens precisa é não tanto encontrar adultos que lhes ofereçam a própria ajuda, mas adultos capazes de dizer: “Preciso de você”. Dom Bosco gostava de dizer aos seus jovens no boa-noite: “Sem a ajuda de vocês, eu nada poderia fazer”. Desde o início
da sua obra educativa, ele teve a ideia de responsabilizar os mais velhos em
relação aos mais jovens.
Referencia: texto extraido do material sobre: sistema preventivo e direitos
humanos. da inspetoria salesiana de são paulo.

A Pedagogia da Confiança



Sem confiança não há educação. Este é o princípio que está na base do sistema educativo de Dom Bosco. Só se pode fundamentar o conceito de autoridade através de uma relação de confiança entre o jovem e o educador.


Como instaurar essa confiança? Dom Bosco, longe de recomendar uma
técnica educativa, responde apenas “com o afeto”. É ele o educador do século 19 que, depois de todas as correntes pedagógicas hiper-racionalistas do século das luzes, reabilitou a esfera afetiva no interior da relação educativa.
A experiência ensina que a esfera afetiva é constitutiva de qualquer relação humana. Dessa forma, em vez de excluí-la no interior da relação educativa, ele aconselha ao educador a sabê-la administrar para instaurar um clima de confiança. “Sem afeto não há confiança. Sem confiança não há educação”. É essa, hoje como ontem, a melhor síntese do pensamento educativo
de Dom Bosco.


Uma educação baseada na confiança é uma educação baseada na razão. O educador age de maneira razoável, convencido sempre de que o jovem é dotado de razão, capaz de compreender onde estão os seus interesses. O Sistema Preventivo baseia-se nessa convicção.



A educação fundada na confiança baseia-se numa fé sólida na educabilidade da criança, quaisquer que sejam as dificuldades que a cercam. Crer nos jovens significa ter todo jovem, qualquer que sejam as suas pobrezas, como uma oportunidade de crescimento para o grupo e não como um peso.


Referêcia: Cartilha da Inspetoria salesiana de São Paulo

Sobre Sistema preventivo e os direitos humanos.

MEMÓRIAS E LEITURA DE IMAGEM




A memória..., palavra tão profunda e reveladora em minha vida, que hoje a recorro como ferramenta de encontros e rememorações comigo mesmo.
É uma atividade redentora, sobretudo por meio da rememoração poética.


Os trapos, os escombros das ruínas, o esquecido. A memória é salvífica e messiânica.
Para Benjamin, a difícil questão a refletir sobre a memória, não reside naquilo que é possível rememorar (o conteúdo da memória é a lembrança, mas a memória é quem capta a lembrança), mas em saber como lidar com o silêncio, com o esquecimento...
Eu tenho medo dessa patologia, desta antrofia-social, ser silenciado e não pensar (e ver) o mundo poeticamente.

Aquele que não se entrega ao sistema; é aquele que declara guerra com a prática da flânerie. Ter olhos para se alimentar de “beleza” e saber saborear as cores. Esse será um novo herói!
A memória não se trata de um tempo perdido. Na concepção benjaminiana, o tempo perdido não se encontra no passado, mas no “futuro”, isto é, nos sonhos, nos desejos, nas aspirações do não-realizado, daquilo que não chegou a se concretizar, mas que ainda se encontra voltado para o porvir - qual uma utopia-retrospectiva.


A educação está entre o passado e o futuro e o educador é o mediador entre eles.
A leitura da sociedade, é uma leitura de imagens.

XV Festival da Juventude Salesiana


Venho aqui expressar a alegria de ter contribuido de alguma forma com este evento da articulação da juventude salesiana, que foi o Festival da juventude. Neste ano, com o tema sobre o protagonismo juvenil. Nada mais expressivo, que a propria culturalidade trazida pelos jovens, através de suas apresentações.

Infelizmente não pude me fazer presente, mas me encontrei integrado a este grande evento, pelos sonhos e pelas preces.

Pelas fotos partilhadas pelo site da inspetoria salesiana do nordeste, pude então comprovar a beleza juvenil. Posso resumir aqui em poucas palavras, que a força do jovem é capaz de transformar as situações, os ambientes, as pessoas, a sociedade e o mundo em que vivemos, através de uma arte... A sua arte de viver e ser feliz. Com o seu sorriso, ele pode libertar mundo e fazer cair correntes.

Eu creio nisso!

E percebi isso nos rostos sorridentes das mil juventudes que estavam neste XV Festival da juventude salesiana.


Visitem a página da ajs


sexta-feira, 11 de junho de 2010

“Alegria, Emoção e Educação”


“Só aprendemos quando colocamos emoção no que aprendemos. Por isso é necessário ensinar com Alegria”.[1]


A palavra aprender é originada do latim, “Ad” que significa, junto de alguém, e “praehendere” significa agarrar ou prender. Sabemos que aprendemos, porque somos seres inacabados e sempre estamos em contínuo aprendizado e construção dos significados à nossa volta.
Por sermos seres incompletos e tendo consciência dessa natureza, necessitamos de “aprender com”. Aprendemos “com”, porque precisamos do outro e através dessa relação é que surge a mediação com o mundo e com a realidade em que co-habitamos.
O ser humano é um ser que busca a sua completude e o sentido na vida. Tudo que aprendemos deve haver um sentido, e é através do cotidiano que o homem encontra sentido e força através da interação com o outro.
É através do outro que encontramos o que nos falta, o que nos completa. É por essa interação (relação) que está a educação e a base da vida humana.
Quando chego a pensar na educação, me vem à mente a imagem de uma colcha de retalhos daquelas bem coloridas e criativamente bem costuradas. Cada retalho de tecido na sua particularidade e cores diferenciadas simbolizaria cada informação ou conteúdos apreendidos durante uma vida. Educação é como essa colcha de retalhos, multi-culturalizada, e tecida em conjunto, tecida em rede com o contexto e história de cada indivíduo.
O ensinar e o aprender contextualizados, fomentariam nos educandos, sentidos, e assim eles estariam aprendendo duas vezes. Para isso, o educador deveria ensinar com alegria, para que o educando aprenda com emoção.
O educador por primeiro deve ter a alegria e a motivação de trabalhar na educação, em tempos de ruína e crise, ele não pode se desesperar, por que ele deve ser um portador da esperança. O professor tem que acreditar no que faz para poder realizar mudanças, transformações de idéias e ser um multiplicador de saberes e “sabores”.
Através das disciplinas, o educador deve fazer com que os alunos sintam “sabor” no que estão aprendendo. Sintam prazer, alegria e porque não, emoção.
Como o Próprio Rubens Alves fala: Em que o educador deve ser um provocador de “fomes” nos alunos. E depois se deixar ser comido por eles, realizando na sala de aula uma antropofagia dos saberes e da ânsia por conhecimento e cultura.
Hoje em dia, se o professor quer que o aluno tenha uma compreensão global da sociedade da informação, em que ele se encontra inserido, ele deve além de fazer da escola um lugar mais atraente, ele poderia começar estabelecendo uma nova relação com quem está aprendendo.
É na escola que se dá a primeira transgressão do familiar para o político na vida da criança, e é lá na escola onde há o início do diálogo e o começo da ação política.
O professor deve ser um profissional que construa sentido “com” seus alunos. Acredito que já basta o que se escuta nas escolas, em que muitos dizem não haver sentido no que aprendem, assim acabam vivendo sem sentido.
Ensinar é acordar o desejo que está adormecido dentro de nós. Os alunos em que se encontram em nossas salas de aulas estão mergulhados em um sono profundo e demorado e é tarefa da educação em libertá-los dessa hiper-trofía e conduzi-los ao caminho do sentido e de uma humanização reparadora. “É preciso redescobrir o lugar do sonho, reencontrar as origens da alma.”[2]
É papel do educador, manter os alunos em estado de vigília. De re-encantar e despertar o que está ainda na “caverna”. É fazer-se artista nesta tarefa redentora, instaurando o desejo, a ética do cuidado, a motivação no aprendizado dos alunos e a ajuda na construção de sentido na sociedade em que eles vivem. Isto é dar cores, e é promover uma escola mais alegre.
Acredito que hoje em dia seja necessário nas escolas repensar os currículos e promover uma educação para a sensibilidade e para a livre expressão de sentimentos como formas de auto-libertação.
Através da sensibilidade, poderemos contribuir na construção e na formação de uma nova visão-estética sobre o mundo em que vivemos. E está é uma tarefa fundamental de cada um de nós educadores.
[1] George Snyders, A alegria na Escola – São Paulo – Manole, 1986
[2] Pedagogia da animação, Marcelino, Nelson. P,14